19 abril 2010

Ainda bem que vira rima!


Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

Paulo Leminsk

Sobre a foto:
Eu imaginava que nesta foto o beijo dado, fosse de despedida. Engano meu. Li sobre a célebre foto, O Beijo, que é muito famosa. Existe até um histórinha sobre essa foto...
O marinheiro ficou super feliz com o fim da Guerra e tascou um beijo na enfermeira que passava no momento. A foto ficou bastante bonita, não?
Essa foto também marcou o fim da Guerra.rs

Sobre o poema:
Gosto dos versos do Leminsk, são simples e tão cheios de riqueza. Esse por exemplo, começa com uma pergunta: "Amor, então, também acaba?". O então entre vírgulas modifica a pergunta, se a pergunta fosse: Amor também acaba? A resposta seria mais direta, acho.
A pausa existente no "então", dá um ar mais pensativo e questionador à pergunta.
O "também" acentua a pergunta. A pergunta é dada com ênfase mas sem estardalhaço. Na verdade a pergunta é simples, a resposta que seria complicada. Parece uma daquelas perguntas de criança, onde a pergunta é simples, mas mesmo assim, a resposta "engasga". rs. ( detalhe, eu fiquei quase que na postagem toda só analisando 2 linhas do poema!)
Gosto muito desse poema!
Não sei o por quê mas sempre tive a impressão que os poemas dele fossem escritos rápidos.

07 abril 2010

Esse texto foi feito pra mim! Acho...

"Mulheres em tom pastel são discretas. Às vezes até bonitas, mas aquela beleza discreta. Geralmente elas se vestem de maneira discreta também, mas algumas são ousadas e usam roupas da moda, às vezes até meio espalhafatosas, mas conseguem, ainda assim, manter a discrição.

Elas são românticas. Adoram poesias que arrumaram em algum site qualquer na internet. O autor não é importante, o importante é a beleza da mensagem. E a mensagem pode ser qualquer coisa que fale de amor e da paz mundial. (...)

Mulheres em tom pastel são bem fáceis de se agradar, porque elas são sorridentes e acham graça de qualquer coisa. (...)

Mulheres em tom pastel fazem piadinhas fofinhas e sempre explicam "olha, foi brincadeira, tá!". Não seja sarcástico com uma mulher em tom pastel, porque você pode ferir os sentimentos dela e fazê-la chorar até o dia seguinte, coitada. Mulheres em tom pastel dizem que são sensíveis porque pra elas, sensibilidade é isso: se magoar fácil e chorar à toa.(...)

Mulheres em tom pastel são boazinhas, engraçadinhas, fofinhas, carinhosas, compreensivas, falam baixo, riem baixo, são companheiras, alegres e todo mundo gosta delas."


Luciana do Rocio Mallon.

07 março 2010

"Desta vida nada se leva...
Só se deixa...
Então, te deixo o meu melhor...
Meu melhor sorriso,
Meu maior abraço,
Minha melhor história,
Minha melhor intenção,
Toda minha compreensão,
E do meu amor, a maior porção

Só quero ficar na memória de alguém como outro alguém que era do bem!E que na memória fique para sempre os melhores momentos..."

31 janeiro 2010

Lépida e leve

Lépida e leve
em teu labor que, de expressões à míngua,
O verso não descreve...
Lépida e leve,
guardas, ó língua, em seu labor,
gostos de afagos de sabor.

És tão mansa e macia,
que teu nome a ti mesmo acaricia,
que teu nome por ti roça, flexuosamente,
como rítmica serpente,
e se faz menos rudo,
o vocábulo, ao teu contacto de veludo.

Dominadora do desejo humano,
estatuária da palavra,
ódio, paixão, mentira, desengano,
por ti que incêndio no Universo lavra!...
És o réptil que voa,
o divino pecado
que as asas musicais, às vezes, solta, à toa,
e que a Terra povoa e despovoa,
quando é de seu agrado.

Sol dos ouvidos, sabiá do tato,
ó língua-idéia, ó língua-sensação,
em que olvido insensato,
em que tolo recato,
te hão deixado o louvor, a exaltação!

— Tu que irradiar pudeste os mais formosos poemas!
— Tu que orquestrar soubeste as carícias supremas!
Dás corpo ao beijo, dás antera à boca, és um tateio de
alucinação,
és o elástico da alma... Ó minha louca
língua, do meu Amor penetra a boca,
passa-lhe em todo senso tua mão,
enche-o de mim, deixa-me oca...
— Tenho certeza, minha louca,
de lhe dar a morder em ti meu coração!...

Língua do meu Amor velosa e doce,
que me convences de que sou frase,
que me contornas, que me veste quase,
como se o corpo meu de ti vindo me fosse.
Língua que me cativas, que me enleias
os surtos de ave estranha,
em linhas longas de invisíveis teias,
de que és, há tanto, habilidosa aranha...

Língua-lâmina, língua-labareda,
língua-linfa, coleando, em deslizes de seda...
Força inféria e divina
faz com que o bem e o mal resumas,
língua-cáustica, língua-cocaína,
língua de mel, língua de plumas?...

Amo-te as sugestões gloriosas e funestas,
amo-te como todas as mulheres
te amam, ó língua-lama, ó língua-resplendor,
pela carne de som que à idéia emprestas
e pelas frases mudas que proferes
nos silêncios de Amor!...

Gilka Machado.

Há neste poema uma homenagem à língua. Gosto de ler esse poema. As palavras soam tão bem. ^^

As palavras contidas no poema, soam de forma a fazer que a língua faça movimentos suaves tocando o céu da boca. Palavras como: leve, língua, labor, lépida, velosa, língua-lama ,língua-lâmina, língua-labareda trazem essa sensação de movimentos lépidos.

No poema também se fala da importância da língua que guarda sabores, que é a dominadora do desejo humano,que dá forma ao beijo, que convence, cativa, entrelaça, profere frases... A língua também acaricia seu próprio nome, língua, quando se é pronunciada, note: "Lín-gu-á".rs

"A língua és tão mansa e macia que teu nome a ti mesmo acaricia."

21 janeiro 2010

O céu

O céu colabora na nossa vida íntima, vive conosco, acompanha-nos na mudança do nosso ser; é um confidente, é um consolador; invoca-se, fala-se-lhe. Olhar o céu é, nos nossos climas, uma ocasião de viver: instintivamente, voltamos para ele os nossos olhos. O poeta meridional, cheio de imagens e de cores, contempla-o; o burguês trivial, admira-o; pela manhã, abre-se a janela e vai-se ver o céu! É um íntimo sempre presente na nossa vida; o nosso estado depende dele: enevoado, entristece-nos; claro e lúcido, alegra-nos; cheio de nuvens eléctricas, enerva-nos. É no Céu que vemos Deus... E mesmo despovoado de deuses, é ainda para o homem o lugar donde ele tira força, consolação e esperança. A paisagem é feita por ele, a arte imita-o, os poetas cantam-no.

Eça de Queirós

20 janeiro 2010

"E é inútil se tentar fugir
Da longa estrada"

Infância

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.



Drummond