28 agosto 2008

Menotti del Picchia




Livro: Entardecer


Ps.: Clic na imagem para ler a poesia.

22 agosto 2008

Eu...


Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...


Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...


Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber por quê...


Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!


Florbela Espanca

09 agosto 2008

"Cale-se". Chico Buarque e Gilberto Gil

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Música composta por Chico Buaque e Gilberto Gil.

Note que a palavra Cálice é homófona* à palavra Cale-se. Essa música está ligada aos movimnetos contra à Ditadura Militar. Para que essa música não fosse censurada, valeu a pena essa "brincadeira" com as palavras. Na verdade não sei ao certo, se essa música foi censurada, talvez pelo fato de a mesma possuir esse jogo de palavras se torne música "inofensiva" à Ditadura Militar.

Gostei de saber que havia verdades escondidas nas letras de algumas músicas. Outro exemplo é a música Alegria Alegria do Caetano Veloso

"Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou..."

Andar sem documento, a Ditadura não aprovava esse comportamento.Eu acho.

É legal tentar interpretar músicas.

*mesma pronúncia, grafia e significado diferente.

28 julho 2008

"O Essencial é Invisível aos Olhos"



...

"Eis o meu segredo: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos. Os homens esqueceram essa verdade, mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." (Antoine de Saint-Exupéry)

16 julho 2008

Drummond



A VOLTA DO GUERREIRO

Os homens que voltaram da guerra traziam feridas e pesadelos. Encontraram suas amadas indiferentes. Passara tanto tempo que algumas nem se lembravam deles, e muitas tinham estabelecido novos amores.

Uma, entretanto, permaneceu lembrada e fiel, e atirou-se com fúria passional aos braços do ex-guerreiro. Ele a repeliu, dizendo:
― Não quero mais ver a guerra diante de mim.
― Eu não sou a guerra, sou o amor, querido ― respondeu-lhe a mulher, assustada.
― Você é a imagem da guerra, você me agarrou como o inimigo na luta corpo a corpo, eu não quero saber de você.
― Então farei carícias lentas e suaves.
― O inimigo também passa a mão de leve pelo corpo do soldado caído, para tirar o que houver no uniforme.
― Ficarei quieta, não farei nada.
― Não fazer nada é a atitude mais suspeita e mais perigosa do inimigo, que nos observa para nos atacar à traição.

Separaram-se para sempre.



Este conto está presente no livro Contos Plausíveis de Carlos Drummond de Andrade , o livro todo é muito bom, mas para mim os melhores contos do livro são esses:

Essas meninas
Beleza total
A incapacidade de ser verdadeiro
As pérolas
A volta do guerreiro


Adorei o livro, o escritos e as ilustrações. Estou virando um "pelego" de Drummond.

10 julho 2008

Uma hora a gente acorda.


...

"Reprimiu seu pranto
Maquilou o enfado
Despediu-se de seu mundo de encanto
E decidiu não mais sonhar acordado..."

...

Trecho do poema que fiz.

09 julho 2008