18 novembro 2010

O que será ( à flor da pele)


O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta os olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida nem nunca terá
O que não tem remédio nem nunca terá
O que não tem receita...

O que será que será,
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso nem nunca terá
O que não tem cansaço nem nunca terá,
O que não tem limite...

O que será que me dá,
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem governo nem nunca terá,
O que não tem juízo...

Essa canção do Chico abre um leque de interpretações, como muitas outras do compositor. Daí me questiono: "O que é o que será da música?"
Li diversas interpretações na internet que apontam que tal melodia fala da ditadura militar brasileira, amor, ódio, sexo, religião, angústia e assim vai...
Dentre as que li uma me chamou atenção, pois falava que a letra marcava alguns pontos do conceito do ID de Freud. Nessa letra é como se o indivíduo tivesse impulsos, instintos (caracterizados como ID )que vão contra ao juízo de realidade (EGO) daí é necessário que haja a censura das pulsões que a sociedade e a cultura impõem ao id, impedindo assim de satisfazer plenamente os seus instintos e desejos (Superego). Bem, foi isso o que li...Acho essa letra bem confusa e acho que nunca vou entendê-la, pois tudo se encaixa nela, parece que fala de tudo ao mesmo tempo e eu fico sem entender nada. rs.

PS.: O Chico tá um pão nessa foto! Ui!rs

31 outubro 2010

"E a Lua nem parece mais lembrar de mim"

19 setembro 2010

Sugestões de músicas

Paisagem da janela lateral - Lô Borges
Gosto muito dessa música é uma das minhas prediletas;
Vida Cigana - Belchior
Essa música traz muita nostalgia é um convite ao choro logo no primeiro verso. Faz lembrar do ensino médio;
Futuros amantes - Chico Buarque
Gosto de ouvi-la quando estou ansiosa..." Não se afobe não que nada é pra já"
A menina dança - Novos baianos
É boa pra dançar, mover-se...sair da inércia;
Águas de março - na voz da Elis e do Tom
É bom ouvir final de ano, sei lá..."promessa de vida no teu coração", sempre há promessas no final de um ano;
Novo Amor - Clara Nunes
Quando acontece algo que não se espera..."Visto que a vida gosta de uns ardis"
O mundo é um moinho - Cartola
Quando se sentir grandinho, crescidinho, cheio de responsabilidade...Ouça.
Eternamente - Gal Costa
É bom pra admirar a voz da Gal;
Agora só falta você - Rita Lee
Quando te der a "louca";
Apesar de você - Chico Buarque

Quando ainda tiver esperanças que o "amanhã vai ser outro dia"

E você? Escuta o quê?

28 agosto 2010

Tenho uma folha branca


Tenho uma folha branca
e limpa à minha espera:
mudo convite

tenho uma cama branca
e limpa à minha espera:
mudo convite

tenho uma vida branca
e limpa à minha espera

Ana Cristina Cesar

25 julho 2010

"O que há de novo para descobrir?"

20 junho 2010

Futuros amantes

"Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar"

Chico Buarque

11 junho 2010

Por Não Estarem Distraídos


Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto.
No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.
Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.
Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.


Ai, ai... esse texto da Lispector é tão lindo! Um convite ao choro, num é!? rs
Devido ao excesso de cobrança as relações amorosas não chegam nem ao nível de bodas de papel!rs (quiçá chegue a bodas de éter que é uma coisa volátil, rs).

Coisas legais acontecem quando menos se esperam. Acontecem quando se está distraído lá no mundo da lua. Tomo como exemplo a história de minha mana, que quando voltava do plantão toda cansada, sonolenta e horripilante encontrou um "carinha" na van e estão juntos até então. Maneiro, né? Eles tinham um encontro marcado e nem sabiam!rs
Não adianta impor ao destino!
Não te ligam quando você está em casa esperando um telefonema. Agora experimente sair pra comprar pão. Aposto que sem você em casa o telefone tocará ininterruptamente! rs
Por isso evito esperar muito por algo. Isso ilude demais. Mas sempre acabo contando com ovos na galinha. O legal mesmo é contar com as surpresas bacanas que nos veem sem um mínimo de cobrança.(mentira minha, não gosto de imprevistos)


Desejo a todos uma incrível "distração" para que assim, coisas agradáveis aconteçam, sem que você note ou cobre.


"Há mais mistérios entre o céu e a terra, do que sonha nossa vã filosofia" William Shakespeare